O Fazedor de velhos - Rodrigo Lacerda
Não conseguia parar de pensar no
professor e, quando eu menos esperava, me veio à cabeça a frase-chave do Rei Lear, aquela que eu havia procurado
tanto sem jamais encontrar! Dizia, simplesmente “como moscas para meninos travessos, assim somos nós para os deuses;
eles nos matam por diversão”
Fiquei com aquela ideia fixa na
cabeça por toda a madrugada. Era um estranho consolo, pensar que somos tão
insignificantes diante do sentimento do mundo.
A luz do dia já começava a
invadir as frestas da cortina. Aí num estalo, me dei conta no desajuste no
travesseiro do professor na hora em que a Mayumi os arrumara. E tudo ficou
óbvio: antes mesmo de eu ter ido ao seu quarto, ele havia tentado tirar os
travesseiros sozinho!
Levantei da cama, movido por um
péssimo pressentimento, e fui correndo até lá. Abri a porta num golpe. Os
travesseiros estavam jogados no chão, e o meu mestre, muito pálido, havia
deitado afinal.
Em minha opinião, essa é uma das partes,
para mim, que mais marcou a mais “importante”, pois foi logo após o momento em que
Pedro recusou deitar o professor, pois sua saúde estava comprometida e Pedro
sabia que se o professor deitasse, ele ia morrer.
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