sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O Fazedor de velhos - Rodrigo Lacerda


Não conseguia parar de pensar no professor e, quando eu menos esperava, me veio à cabeça a frase-chave do Rei Lear, aquela que eu havia procurado tanto sem jamais encontrar! Dizia, simplesmente “como moscas para meninos travessos, assim somos nós para os deuses; eles nos matam por diversão”
Fiquei com aquela ideia fixa na cabeça por toda a madrugada. Era um estranho consolo, pensar que somos tão insignificantes diante do sentimento do mundo.
A luz do dia já começava a invadir as frestas da cortina. Aí num estalo, me dei conta no desajuste no travesseiro do professor na hora em que a Mayumi os arrumara. E tudo ficou óbvio: antes mesmo de eu ter ido ao seu quarto, ele havia tentado tirar os travesseiros sozinho!
Levantei da cama, movido por um péssimo pressentimento, e fui correndo até lá. Abri a porta num golpe. Os travesseiros estavam jogados no chão, e o meu mestre, muito pálido, havia deitado afinal.
Em minha opinião, essa é uma das partes, para mim, que mais marcou a mais “importante”, pois foi logo após o momento em que Pedro recusou deitar o professor, pois sua saúde estava comprometida e Pedro sabia que se o professor deitasse, ele ia morrer.

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